Até aí tudo bem.
Problema é que, sendo o sítio no meio do nada, me vem uma gata branca se adonar do pedaço. Alguns dizem que é do caseiro do terreno do outro lado.
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Seres humanos matam uns aos outros para roubarem um par de tênis.
Traem uns aos outros como se confiança não fosse importante para um relacionamento.
Machucam todos ao seu redor, sem o menor remorso.
Seres humanos são fúteis e falsos.
Não. Não quero ser tratada como um ser humano, obrigada.
Mas depois fiquei pensando...
Minha mãe me trata como um ser humano.
Não desses que existem por aí, mas como um ser humano no sentido...qual sentido mesmo? Um "sentido mais humano"?
Por exemplo:
Minha mãe me dá beijo de boa noite. Em todos nós. Todas as noites.
Minha mãe fala comigo como se eu fosse uma amiga fofoqueira. Me conta tudo. Me explica tudo como se eu fosse uma menininha de 6 anos.
"Filha, não pôe a pata aí que tá quente!"
"Filha, não sobe aí que é perigoso!"
"Olha, mamãe vai sair e já volta, viu?"
"O papá tá gostoso?"
Eu sou tratada como um bebê.
Eu tenho cama. Sou tapada com cobertor quando está frio. Ganho beijo. Sou abraçada.
Minha mãe respeita minhas opiniões como se eu fosse um ser humano.
Ela pode não concordar com algumas coisas, mas ela respeita.
Por exemplo, ela discorda que eu possa comer de tudo. Mas ela respeita que eu tenho vontade e curiosidade de experimentar o que ela come. Então ela me dá um pedacinho bem pequeno. "Só um pedacinho" diz ela.
Acabam sendo 3, 4 pedacinhos. Levo ela assim, na conversa mole.
Alias, no miado.
Eu sou tratada como parte da família.
Tenho data de aniversário.
Sou tão amada quanto qualquer outra pessoa da família.
Sou tão mimada quanto.
Por exemplo, minha mãe dorme torta porque nós 5 vamos para a cama quando ela se recolhe. Depois de 10 minutos ela quer se virar e não dá, porque tem um embaixo de um braço, um colado num lado da perna, um no meio da outra perna, um perto do pescoço e um na barriga. Daí ela vai se entortando pra mudar de posição sem mexer nenhum dos gatos. Um dia eu queria filmar uma noite de sono dela.
Ginástica pura! Quem tem gato sabe.
Minha mãe me escuta. Quando eu chamo ela vem, que nem um cachorrinho.
Minha mãe pode estar morrendo de vontade de ir ao banheiro, mas se eu tô no colo dela bem acomodada, ela segura até onde não dá mais. Como se fosse uma reunião importante sem hora pra acabar.
Minha mãe me apresenta para as visitas.
"Vem cá filha, vem ver a tia."
"Tia, essa é a Branquinha." fala ela com voz de criança de 10 anos.
As vezes ela pôe palavras na minha boca.
"Ai tia não me aperta!"
"Ô moça, cuidado que eu tô braba!"
Minha mãe sabe tudo que eu quero. Tudo que eu preciso e em que hora.
Sabe quando eu quero carinho, quando eu tô de manha, quando eu tô com fome.
Ela sabe quando eu tô com preguiça, quando eu tô dengosa, quando eu tô de mau humor.
Acho que eu sou um ser humano sem a parte ruim.
Acho que todo animal é.
Nós nos apegamos às pessoas.
Nós fazemos as pessoas felizes.
Um animal completa a vida de uma pessoa.
Nós sabemos quando as pessoas estão tensas, tristes, com medo.
Embora seja o animal que ganhe colo, é a pessoa que o segura que está sendo amparada por ele.
Então, se você me perguntar se eu quero ser tratada como um ser humano, talvez eu tenha sido tratada como um desde que nasci.
E amo.
Porque animal não é brinquedo.
Animal não é "coisa" que alguém "possui".
E se você quiser algo que te obedeça, compre um robô ao invés de um cachorro.
Assim quando você enjoar, tire a pilha e guarde o robô no armário, ao invés de botar seu cachorro rua afora.
Porque o seu cachorro é uma vida. Que até então dependia de você. Como uma criança.
E assim como você, ser humano, sente falta de um ente querido quando esse morre, nós animais também sentimos quando somos expulsos da sua vida. Especialmente sem um motivo válido.
Aliás, não existe um motivo válido o suficiente para se desfazer de um animal.
E assim como uma criança, o animal precisa de cuidados e supervisões.
Não atravesse a rua sozinho!
Não o deixe sem supervisão quando o forno está ligado! etc...
Hoje venho aqui para falar de uma coisa muito importante!
A RAÇA!
Mamãe tinha comprado toda a ração que a gente precisava pro mês na semana passada. Daí dois dias depois o moço da ração manda um email com a seguinte promoção:
" Na compra de qualquer Royal Canin 7,5 Kg ganhe grátis uma Enciclopédia (do gato ou do cachorro)."
A enciclopédia do gato são dois volumes. Lá vai ela recolher as moedas do cofrinho e me comprar dois sacos de ração para ganhar os dois volumes, antes que acabe a promoção. (Sorte que eram só dois volumes, porque o do cachorro são cinco!)
Bom, enfim, mas o assunto não é esse.
O assunto é que ela descobriu que nós somos todos de raça.
A princípio ficamos todos espantados. "Nós, de raça? De onde ela tirou isso?!"
"Onde tá escrito que eu sou de raça? Cadê? Quero ver também!"
E lá foi mamãe, folha por folha, provar que nós, vira-latas de carteirinha, temos SIM raça.
Dá uma olhada.
Vamos pegar, por exemplo, o Panda.
O Panda pode ser um gato da raça "Siberiano".
Ou um "Persa" que não bateu a cara na parede quando era nenê, por isso a falta do focinho achatado.
Ou até, quem sabe ele seja um "Gato das Florestas Norueguesas"!
Olha! Quase igual!
E se nenhuma das alternativas acima colou, ele pode ser ainda um simples gato da raça "Europeu".
Aí fomos ver a raça da barata-branca, a Lila.
Claro né, "Angorá Turco" de cara!
Oi gente!
Creeedo, tô quase um mês sem escrever! Que vergonhaaaa!
Mas olha, foi culpa da minha mãe que, por causa do atraso da reforma, acabou atrasando todo trabalho dela também.
Mas agora ficou tudo em ordem e eu vim correndo dar uma pulinho aqui pra dizer como andam as coisas nesse apartamento pequeno e super lotado.
Bom, a reforma, graças a Deus e aos pedreiros, acabou.
Pra você entender o que a minha mãe fez, vou ter que mostrar (desculpa mãe!) como era antes.
Anos luz antes de eu pensar em nascer, a sala deles era assim:
(Olha a mana Kelly lá!!!)